segunda-feira, 30 de novembro de 2009

SATYAPREM

O “Espelho Vazio” não tem problemas
O meu convite é que você veja que os reflexos não são você.
Pare de confundir uma coisa com a outra e descanse.
O “Espelho Vazio” não tem problemas.
Você precisa acordar e ver que tudo que está dentro da sua cabeça não é verdade.
Você precisa ver que qualquer pensamento que exista, em relação a qualquer coisa, não é provável, não pode ser provado.

sábado, 28 de novembro de 2009

AGORA

Este exato momento AGORA é a única coisa da qual você jamais conseguirá escapar, o único fator constante em sua vida. Aconteça o que acontecer, e por mais que sua vida mude, uma coisa é certa: é sempre o AGORA .Se não for possível fugir do AGORA, por que não acolhê-lo e tratá-lo bem? A DIVISÃO DA VIDA EM PASSADO, PRESENTE E FUTURO É UMA CONSTRUÇÃO DA MENTE, EM ÚLTIMA ANÁLISE: ILUSÓRIA. Passado e futuro são formas pensamento, abstrações mentais. O PASSADO só pode ser lembrado AGORA. O que você lembra é um fato que aconteceu no AGORA e do qual você se lembra AGORA. O FUTURO, quando chega, é o AGORA. Portanto, a única coisa real, a única coisa que sempre existe,é o AGORA. Concentrar sua atenção no AGORA, não é negar o que é necessário em sua vida. É reconhecer o que é prioritário. Depois, você poderá lidar mais facilmente com o que é secundário. Veja o que é prioritário e faça do AGORA seu amigo, não seu inimigo. Reconheça-o, respeite-o. Quando o AGORA é a base e o foco principal de sua vida, ela flui com facilidade.Sinta a vida em seu corpo. Isso enraíza você no AGORA. Enquanto não se responsabilizar por este exato momento - O AGORA - você não estará assumindo qualquer responsabilidade por sua vida.É POR ISSO QUE O AGORA É O ÚNICO LUGAR ONDE A VIDA PODE SER ENCONTRADA. O AGORA é como é porque não pode ser de outro jeito.Assumir responsabilidade por este momento presente é estar em harmonia com a vida.Quando você passa a dar atenção ao AGORA, cria-se um estado de ALERTA. É como se você acordasse de um sonho, o sonho do pensamento, o sonho do passado e do futuro.É TÃO CLARO E TÃO SIMPLES.Não sobra lugar para criar problemas.Só esse momento, tal como ele é.Quando concentra sua ATENÇÃO NO AGORA, você se dá conta de que a vida é SAGRADA. Existe algo de SAGRADO em tudo que você percebe quando se encontra no presente. Quanto mais você viver no AGORA, mais vai sentir a simples e profunda alegria de SER e do caráter SAGRADO DA VIDA.A maior parte das pessoas confunde o AGORA com o que ACONTECE no agora. Mas não é isso.O AGORA é mais profundo do que qualquer conteúdo queocorre nele.É o ESPAÇO no qual tudo ACONTECE.Você sempre ignora o fato mais óbvio: o seu sentido mais profundo de ser não tem nada a ver com o que acontece na sua vida, nada a ver com o conteúdo desua vida.O sentido de ser, de EU SOU, está intimamente ligado ao AGORA.Ele sempre permanece o mesmo.Na infância e na velhice, na saúde ou na doença, no sucesso ou no fracasso, o EU SOU, o espaço do AGORA permanece imutável no nível mais profundo. Mas como ele costuma se confundir com o que acontece em sua vida, você sente o EU SOU ou o AGORA muito tênua e indiretamente, através do conteúdo da sua vida.Em outras palavras: sua noção de ser fica obscurecida pelas circunstâncias, por sua corrente de pensamento e pelos inúmeros fatos que ocorrem no mundo à sua volta.O AGORA FICA ENCOBERTO PELO TEMPO.No entanto, é tão simples lembrar a verdade e dessa forma voltar às origens (...)Eu NÃO SOU os meus pensamentos, NÃO SOU minhas emoções, minhas percepções sensoriais e minhas experiências.NÃO SOU o conteúdo da minha vida.SOU O ESPAÇO NO QUAL TODAS AS COISAS ACONTECEM.EU SOU A CONSCIÊNCIA.SOU O AGORA.



Eckhart TolleTrechos do Capitulo IV do livro:"O Poder do Silêncio" de Eckhart Tolle

NÃO LIVRE


Não-Livre
Condicionado
Prisioneiro de si mesmo
Amarrado a conceitos
Imerso em ilusão
Cheio de pré-concepções

IMPERMANÊNCIA

Reflita sobre isto: a realização da impermanência é paradoxalmente a única coisa que podemos manter, talvez nosso bem último. É como o céu ou a terra. Não importa quanto tudo mude ou se dissolva à nossa volta, a terra e o céu permanecem. Suponhamos que nos envolva uma profunda crise emocional... ou toda nossa vida esteja desabando... ou que a pessoa amada vá embora sem qualquer aviso. A terra e o céu estão lá, onde estiveram sempre. É claro, mesmo a terra treme uma ou outra vez, para nos lembrar que nada é certo ou garantido...
Até Buda morreu. Sua morte foi um acontecimento para chocar o ingênuo, o indolente, o complacente, despertando-nos para a verdade de que tudo é impermanente...
Toda interação subatômica consiste na aniquilação das partículas originais e na criação de novas partículas subatômicas. O mundo subatômico é uma dança sem fim de criação e aniquilação, de matéria transformando-se em energia, e de energia transformando-se em massa. Formas transitórias faíscam dentro e fora da existência, engendrando uma realidade sem fim, para sempre recriada.
O que é nossa vida senão uma dança de formas transitórias? Não está tudo sempre mudando: as folhas nas árvores do parque, a luz em seu quarto enquanto você lê este livro, as estações, o clima, as horas do dia, as pessoas passando por você na rua? Os amigos com os quais crescemos, os fantasmas de nossa infância, o pontos de vista e opiniões que uma vez defendemos com tamanha e sincera paixão: deixamos tudo isso para trás. Agora, neste instante, ler este texto parece a você vividamente real. Mas estas mesmas palavras não serão, dentro em pouco, mais que uma lembrança.
As células do nosso corpo estão morrendo, os neurônios do nosso cérebro estão se deteriorando. Até a expressão em nosso rosto está sempre mudando, dependendo do nosso humor. O que nós chamamos de nossa personalidade básica é apenas um “fluxo mental”, nada mais. Hoje nos sentimos bem porque as coisas estão indo bem; amanhã sentiremos o contrário. Para onde foi esse sentir-se bem? Novas influências tomaram conta de nós à medida que as circunstâncias mudaram: somos impermanentes, as influências são impermanentes, e não há em parte alguma algo sólido ou duradouro a ser apontado.
O que pode ser mais imprevisível do que nossos pensamentos e emoções: você tem qualquer idéia do que vai pensar ou sentir nos próximos minutos? Nossa mente, de fato, é tão vazia, tão impermanente e transitória quanto um sonho. Olhe para um pensamento, como ele vem fica e vai. O passado é o passado, o futuro ainda não surgiu, e mesmo o pensamento presente, como nós o experimentamos, torna-se logo o passado.
A única coisa que realmente temos é o presente, é o agora.
Texto extraído de “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer” de Sogyal Rimpoche.

Shakyamuni Buddha

“Quando curiosamente te perguntaram, buscando saber o que é aquilo, Não deves afirmar ou negar nada. Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade; E o que quer que seja negado não é verdadeiro. Como alguém poderá dizer com certeza o que aquilo pode ser, enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que é? E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região, onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir? Portanto, aos questionamentos, oferece-lhes apenas o silêncio, Silêncio – e um dedo apontando o caminho.”

Sri Ramana Maharshi



"A consciência do corpo é o 'Eu' errado. Desista desta consciência-corpo. Isto é feito através da busca da fonte do 'Eu'. O corpo não diz 'Eu sou'. É você quem diz 'Eu sou o corpo'. Descubra quem é este 'Eu'. Procurando a sua fonte, ele irá desaparecer. Seja o que você é. Não existe nada para ser manifestado. Tudo o que é necessário é a perda do ego. A verdade de si mesmo é a única que vale a pena ser buscada e conhecida. Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos. Todos os seus esforços devem ser dirigidos para a superação desta tela, e então a realização é revelada. Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desaparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma. Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego"

Sri Nisargadatta Maharaj - A OBSESSÃO COM O CORPO

Discípulo: Maharaj, você está sentado aí, diante de mim e eu estou aqui a seus pés. Qual a diferença básica entre nós?

Maharaj: Não há nenhuma diferença básica.
D: Mas, ainda assim, parece ter alguma diferença real. Eu vim a você, você não veio até mim.
M: É porque você imagina essas diferenças que você veio aqui e vai ali em busca de uma pessoa superior.
D: Mas você é uma pessoa superior. Você alega conhecer a realidade enquanto eu, não.
M: Eu por acaso lhe disse que você não sabe nada e, portanto, que você é inferior? Deixe aqueles que criaram essas distinções prová-las. Eu não alego conhecer algo que você não conhece. Na verdade, eu sei muito menos do que você.
D: Suas palavras são sábias, seu comportamento é nobre e sua graça é poderosa.
M: Eu não sei nada sobre tudo isso e não vejo diferença nenhuma entre você e eu. A minha vida é uma sucessão de eventos exatamente como a sua. A única coisa é que estou desapegado e vejo o show que passa somente como um show que passa, enquanto você se apega às coisas e vai com elas de um lado para o outro.
D: O que o torna uma pessoa tão imparcial?
M: Nada em especial. Aconteceu que eu acreditei no meu Guru. Ele me disse que eu não sou nada além de mim mesmo e eu acreditei nele. Acreditando nele, eu passei a me comportar de acordo e parei de me preocupar com tudo o que não era eu ou que não era do meu ser.
D: Por que você foi tão bem-aventurado em acreditar, totalmente, no seu professor, enquanto nossa fé é nominal e verbal?
M: Quem pode dizer? Isso, simplesmente, aconteceu. Coisas acontecem sem causa e sem razão e, de qualquer forma, que diferença faz quem é quem? A sua elevada opinião sobre mim é apenas a sua opinião. A qualquer momento você pode mudá-la. Por que dar tanta importância a opiniões, mesmo que sejam as suas?
D: Ainda assim você é diferente. Sua mente parece estar sempre quieta e feliz e milagres acontecem a sua volta.
M: Eu não sei nada sobre milagres. E fico pensando se a natureza admite exceções às suas leis, a menos que concordemos que tudo seja um milagre. Para mim, isso não existe. Há uma consciência onde tudo acontece. Esses milagres são bastante óbvios e fazem parte da experiência de todos. Você apenas não olha com o cuidado suficiente. Olhe, atentamente, e veja o que eu vejo.
D: E o que você vê?
M: Eu vejo o que você também pode ver aqui e agora, mas pelo foco errado da sua atenção. Você não dá atenção a si próprio. Sua mente está cheia de coisas, pessoas e idéias, nunca com você mesmo. Coloque a si mesmo dentro do foco. Torne-se consciente da sua própria existência. Veja como você funciona, verifique os motivos e os resultados das suas ações. Estude a prisão que você, inadvertidamente, construiu à sua volta. Descobrindo o que você não é, você acabará se conhecendo. O caminho de volta a si mesmo vai através da recusa e da rejeição. Uma coisa é certa: o real não é imaginário, não é produto da mente. Até mesmo o sentido de "eu sou" não é continuo, apesar de ser um sinalizador útil; ele mostra onde procurar, mas não o que procurar. Apenas dê uma boa olhada nisso. Uma vez que você estiver convencido de que você não pode dizer, verdadeiramente, nada sobre si próprio, exceto "eu sou", e de que nada para o que você possa apontar pode ser você mesmo, a necessidade do "eu sou" termina. Você não mais tentará verbalizar o que você é. Tudo o que você precisa é livrar-se da tendência de definir a si mesmo. Todas as definições aplicam-se somente ao seu corpo e às suas expressões. Uma vez que esta obsessão com o corpo termine, você reverterá ao seu estado natural, espontaneamente e sem esforço. A única diferença entre nós é que eu estou consciente do meu estado natural, enquanto você está a devanear. Assim como o ouro usado numa jóia não leva nenhuma vantagem em relação ao ouro em pó, exceto quando a mente as cria, assim também somos uno em essência - diferimos apenas na aparência. Descobrimos isto sendo sinceros, procurando, inquirindo, questionando diariamente, a toda hora, dedicando uma vida a essa descoberta

Sri Nisargadatta Maharaj - O Ser está além da mente

Este é um diálogo entre Sri Nisargadatta e um dos seus discípulos.

Questionador: Quando criança, eu freqüentemente experimentava estados de completa felicidade, chegando ao êxtase. Mais tarde, eles cessaram. Mas desde que vim para a Índia eles reapareceram, principalmente depois que o encontrei. Ainda assim, esses estados, embora maravilhosos, não são duradouros. Eles vão e vêm sem que eu saiba quando voltarão.

Maharaj: Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável?

Q: Como posso tornar minha mente estável?

M. Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente.

Q: Como se faz isso?

M: Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte.

Q: Posso evitar esta batalha com minha mente?

M: Sim, você pode. Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira.

Q: Bem, então eu posso também me casar, ter filhos, tocar um negócio... ser feliz.

M: Certamente. Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua.

Q: Bem, eu quero a felicidade.

M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do self e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu self real (swarupa) e tudo mais virá com ele.

Q: Se o meu verdadeiro self é paz e amor, por que ele é tão inquieto, tão agitado?

M: Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo do Self na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas na mente. O Self está além da mente, consciente, mas sem envolvimento.

Q: Como alcançá-lo?

M: Você é o Self, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva e você irá perceber que permanecer alerta mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real.

Q: Quais são os outros aspectos?

M: Os aspectos são em número infinito. Conheça um e você conhecerá todos.

Q: Diga alguma coisa que possa me ajudar.

M: Você é quem sabe melhor o que você necessita!

Q: Eu não tenho descanso. Como posso obter paz?

M: Para que você quer paz?

Q: Para ser feliz.

M: Você não é feliz?

Q: Não, eu não sou.

M: O que o torna infeliz?

Q: Eu tenho o que não quero, e quero o que não tenho.

M: Por que você não inverte a situação: queira o que você tem e não se importe com o que não tem?

Q: Eu quero o que é prazeroso e não quero o que é doloroso.

M: Como você sabe o que é prazeroso ou não?

Q: Em função da experiência passada, é claro.

M: Guiado pela memória você tem perseguido o prazeroso e fugido do não prazeroso. Você tem obtido sucesso?

Q: Não, não tenho. O prazeroso não dura. A dor instala-se novamente.

M: Que dor?

Q: O desejo pelo prazer, o medo da dor, ambos são estados de angústia. Existe um estado de prazer puro?

M. Cada prazer, físico ou mental, necessita de um instrumento. Tanto os instrumentos físicos como mentais são materiais, eles cansam e tornam-se batidos. O prazer que eles proporcionam é necessariamente limitado em intensidade e duração. A dor é o pano de fundo de todos os seus prazeres. Você os quer porque você sofre. Por outro lado, a busca pelo prazer é a causa da dor. É um círculo vicioso.

Q: Eu posso ver o mecanismo da minha confusão, mas não vejo a forma de sair dele.

M: O exame detalhado do mecanismo mostra o caminho. Afinal, sua confusão está só na sua mente, que nunca lutou muito contra a confusão e nunca se agarrou tanto a ela. Sua mente se rebela apenas contra a dor.

Q: Então, tudo o que tenho a fazer é permanecer confuso?

M: Fique alerta. Questione, observe, investigue, aprenda tudo que puder sobre a confusão, como ela opera, o que ela faz a você e aos outros. Ao esclarecer a confusão você se livrará dela.

Q: Quando olho para dentro de mim, percebo que meu desejo mais forte é criar um monumento, construir alguma coisa que possa durar mais do que eu. Mesmo quando eu penso em um lar, esposa e filhos, é porque eles são uma testemunha duradoura e sólida de mim mesmo.

M: Certo, construa um monumento para você. Como você pensa fazer isso?

Q: Importa pouco o que eu construo, desde que seja permanente.

M: Certamente, você vê por si mesmo que nada é permanente. Tudo se desgasta, quebra, dissolve. O próprio chão onde você constrói também desaparecerá. O que você pode construir que dure mais que tudo?

Q: Intelectualmente, verbalmente, estou consciente de que tudo é transitório. Ainda assim, de alguma forma meu coração deseja permanência. Quero criar algo que dure.

M: Então você precisa construir isso com alguma coisa duradoura. O que você tem que é duradouro? Nem seu corpo, nem sua mente duram. Você precisa procurar em outro lugar.

Q: Eu anseio pela permanência, mas não a encontro em nenhum lugar.

M: Você, você mesmo não é permanente?

Q: Eu nasci e meu destino é morrer.

M: Você pode verdadeiramente dizer que você não era antes de nascer e você pode possivelmente dizer quando estiver morto: "Agora eu não sou mais"? Você não pode dizer, pela sua própria experiência, que você não é. Você só pode dizer "Eu sou". Os outros também não podem dizer-lhe "você não é".

Q: Não há "Eu sou" no sono.

M: Antes de fazer tais afirmações examine cuidadosamente seu estado de vigília. Você logo descobrirá que ele está cheio de falhas, quando a mente fica em branco. Perceba como você se recorda pouco mesmo quando totalmente acordado. Você não pode dizer que você não estava consciente durante o sono. Você apenas não se lembra. Uma falha na memória não é necessariamente uma falha na consciência.

Q: Posso lembrar, por mim mesmo, meu estado de sono profundo?

M: É claro! Eliminando os intervalos durante suas horas de vigília você gradualmente eliminará os longos intervalos de ausência da mente, que você chama de sono. Você ficará consciente de que está dormindo.

Q: Mas o problema da permanência, da continuidade do ser, ainda continua sem solução.

M: A permanência é mera idéia, nascida da ação do tempo. O tempo, por sua vez, depende da memória. Por permanência você entende uma memória que não falha através de um tempo que seja contínuo. Você quer eternizar a mente, o que não é possível.

Q: Então o que é eterno?

M: Aquilo que não muda com o tempo. Você não pode eternizar uma coisa transitória - somente o imutável é eterno.

Q: Estou familiarizado com o sentido geral do que você diz. Não desejo mais conhecimento. Tudo que eu quero é paz.

M: Você pode obter toda paz que você quer apenas pedindo.

Q: Eu estou pedindo.

M: Você deve pedir com um coração não dividido e viver uma vida integrada.

Q: Como?

M: Desprenda-se de tudo que não deixa sua mente descansar. Renuncie a tudo que perturba sua paz. Se você quer paz, mereça-a.

Q: Certamente todos merecem paz.

M: Somente a merecem aqueles que não a perturbam.

Q: De que forma eu perturbo a paz?

M: Sendo um escravo de seus desejos e medos.

Q: Mesmo quando eles são justificáveis?

M: Reações emocionais, nascidas da ignorância e da inadvertência, nunca se justificam. Procure uma mente clara e um coração limpo. Tudo que você precisa é manter-se bem alerta, investigando a verdadeira natureza de você mesmo. Este é o único caminho para a paz.

Sri Nisargadatta Maharaj

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

MOOJI




'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'. Ningúem existe, somente aquilo que É ', que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egóica! O ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual. Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização. A Unidade única apenas existe, manifestando-se através e como a própria consciência, Ela expressa-se como o jogo cósmico. É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal/O Ser. A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, resultando assim na compreensão final. Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : ' Nós somos chamados por nosso próprio Ser ', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência. O Absoluto, o Ser real de cada um, o Sat guru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade.

EU SOU ISSO AQUILO E ALÉM- SAMBODH NASEEB



Se somos iluminados agora mesmo, então porque meditar?


A prática da meditação e da auto-investigação é para você ter essa experiência por si mesmo. Você pode ouvir de alguém que você já está acordado. Mas essa experiência não pode ser passada por palavras. Tem-se de viver isto a cada momento. A prática é um caminho para experienciar isto. Sim, somos iluminados, mas temos de saber por nós mesmos. Depois de saber, passamos anos estabilizando nosso corpo e nossas mente para cristalizar este reconhecimento. Mas realmente meditar é viver em meditação, estar próximo ao corpo, abandonar as histórias mentais, sintonizar-se com o presente e com sua força interior. Tudo que se pode fazer sempre está agora. Não restrinja sua prática à sua casa ou ao seu centro de meditação. Lembre-se que você carrega o Cristo, você carrega o Buda. Você é o Cristo. Você é o Buda. Precisamos reconhecer isto a cada momento. Eu sou...é uma boa meditação...Quem sou eu? Eu sou...apenas sou...eu...apenas eu...
SAMBODH NASEEB

PARE DE PERGUNTAR E VIVA -SAMBODH NASEEB


Se você perguntar a uma criança porque ela busca conchinhas na praia ela não saberá lhe dizer... Ora, por que... Não interessa porque, ela adora fazer isso... Todas as explicações são conceituais, mentais, daquele que tenta racionalmente entender o mistério da vida... Mas há coisas que só podem ser vividas e amadas como elas são, e não há resposta satisfatória para essas coisas. Porque chove no mar? Porque o céu é azul? Porque estamos aqui? Porque o mundo foi criado? Porque as árvores são verdes?




SAMBODH NASEEB

AQUI - JÁ - AGORA!




Meditação é a arte de estar presente e aberto a tudo que nos cerca. Essa fluidez, essa abertura, esse derretimento, nos induz à expansão, que é o estado meditativo. Meditação é mais como um sorriso relaxado do que uma seriedade disciplinada. Seriedade definitivamente não combina com meditação. Sua disciplina deve ter um sorriso. Meditação é a brincadeira de Deus, da Vida, do Universo Consciente. Meditação é a arte do instante. A poesia do acaso. Aqui, já, e agora.

SAMBODH NASEEB

Mooji



Todos os seres buscam e desejam a felicidade duradoura, paz, verdade e compreensão. Nossas vidas podem ser a expressão e a celebração desta descoberta. Mas sem a compreensão real de quem verdadeiramente somos, nós nos consideramos meramente como entidades corpo-mente, inconscientes de nossa natureza mais profunda como Pura Consciência. Esta visão limitada nos deixa enredados num mundo de confusão, medo e conflito – um estado muito infeliz. Satsang nos lembra que nós já somos livres! Para aqueles que estão abertos, a mensagem em Satsang é o sabão que remove a velha sujeira da ignorância e do mal-entendido causados pela errônea identificação, nos deixando como presença consciente aqui agora. Satsang é o convite para pisar dentro do fogo do Auto-conhecimento. Este fogo não o queimará, apenas queimará o que não é você.

Sri Aurobindo -



PALAVRAS

Para aqueles que desejam viver a vida espiritual, o Divino deve vir sempre em primeiro lugar, todo o resto é secundário.

A Verdade para você é sentir o Divino em você, abrir-se a Mãe e trabalhar para o Divino até que você esteja consciente dela em todas as suas atividades. Deveria haver a consciência da presença divina em seu coração e a guiança divina em seus atos.


Livrar-se inteiramente do desejo demora muito tempo. Mas, se você pode uma vez expulsá-lo da natureza e percebê-lo como uma força vindo de fora e enfiando suas garras no vital e físico, será mais fácil livrar-se do invasor.

Você precisa ir bem para dentro de você e entrar em uma completa dedicação à vida espiritual. Toda adesão a preferências mentais deve ser abandonada, toda insistência em objetivos e interesses e apegos vitais deve ser afastada, toda ligação egoísta a família, amigos, país, deve desaparecer se você quer ser bem sucedido no Yoga.

É necessário observar e conhecer os movimentos errados em você; pois eles são a fonte de suas dificuldades e têm que ser persistentemente rejeitados se é para você ser livre.

mundo vai atrapalhar você enquanto alguma parte de você pertencer ao mundo. É somente se você pertencer inteiramente ao Divino que você pode tornar-se livre.

Os caminhos do Divino não são como os da mente humana ou de acordo com os nossos padrões, e é impossível julgá-los ou estabelecer para Ele o que Ele deve ou não deve fazer, porque o Divino sabe melhor do que nós podemos saber.

Não impor sua mente e vontade vital ao Divino mas receber a vontade do Divino e segui-la é a verdadeira atitude na sadhana... Dar-se, entregar-se e receber com alegria tudo o que o Divino dá, e não se afligindo ou revoltando, é o melhor caminho. Então o que você recer será a coisa certa para você.

Não importa que defeitos você possa ter em sua natureza. A única coisa que importa é você se manter aberto à Força. Ninguém pode se transformar por seus próprios esforços sem qualquer ajuda; é somente a Força Divina que pode transformá-lo. Se você se mantém aberto, todo o resto será feito por você.

Abandonar o esforço pessoal não é o que lhe é pedido, mas chamar cada vez mais pelo Poder Divino e através dele governar e guiar o esforço pessoal.

Se há dificuldades, tropeços ou falhas, deve-se olhar para eles quietamente e chamar para dentro tranqüila e persistentemente a ajuda Divina para removê-los, mas não se permitir ficar transtornado ou angustiado ou desencorajado... a mudança total da natureza não pode ser feita em um dia.

Tudo o que resiste desaparecerá no tempo certo com o progressivo desabrochar da natureza espiritual.

Ser inteiramente sincero significa desejar somente a Verdade Divina, entregar-se cada vez mais à Mãe Divina, rejeitar toda exigência e desejos pessoais diferentes desta única aspiração, oferecer cada ação na vida ao Divino e fazer isto como o trabalho dado, sem introduzir o ego. Esta é a base da vida divina.

Fixe em sua mente e coração a resolução de viver para a Verdade Divina e para isto somente; rejeite tudo que é contrário e incompatível com isto e afaste-se dos desejos mais baixos; aspire por abrir-se ao Poder Divino e nenhum outro. Faça isso com toda sinceridade e a ajuda presente e viva de que você precisa não lhe faltará.

O supraconsciente é o verdadeiro fundamento, e não o subconsciente. Não é analisando-se os segredos da lama de onde nasce a flor do lótus que explicamos sua existência. O segredo da flor do lótus está no arquétipo divino que floresce para sempre nas alturas, na luz.

Pureza é aceitar nenhuma outra influência a não ser a influência do Divino.Dentro do coração existe um centro de Consciência, e dentro dele você pode enxergar o mundo inteiro.

O Poder do Agora, de Eckhart Tolle




O Poder do Agora

A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida. A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente àquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar o Agora, mais livre estará da dor, do sofrimento – e da mente egoica.

Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De facto, o tempo e a mente são inseparáveis.

Imagine a Terra desprovida de vida humana, habitada apenas por plantas c animais. Teria ela ainda um passado e um futuro? Poderíamos nós falar de tempo de maneira que fizesse sentido? As perguntas "Que horas são?" ou "Que dia é hoje?" — se houvesse quem as fizesse — não fariam qualquer sentido. O carvalho ou a águia ficariam estupefactos com tais perguntas. "Que horas são?" perguntariam. "Bem, é claro que é agora. Que mais poderia ser?"

Sim, é certo que precisamos da mente assim como do tempo para funcionarmos neste mundo, mas a certa altura eles tomam conta das nossas vidas, e é aí que a disfunção, a dor e o desgosto se instalam.

A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.

Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na actualidade. A acumulação de tempo na mente humana, colectiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado.

Se quiser deixar de criar dor para si e para os outros, se quiser deixar de acrescentar mais dor ao resíduo da dor passada que continua a viver em si, então deixe de criar mais tempo, ou pelo menos crie apenas o tempo necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo? Compreendendo profundamente que o momento presente é tudo o que você algum dia terá. Faça do Agora o foco principal da sua vida.

Atendendo a que antes você vivia no tempo e fazia curtas visitas ao Agora, estabeleça a sua morada no Agora e faça curtas visitas ao passado e ao futuro quando precisar de lidar com os aspectos práticos da sua situação de vida. Diga sempre "sim" ao momento presente. Que poderia ser mais fútil, mais insensato do que criar resistência interior a algo que já é? Que poderia ser mais insensato do que opor-se à própria vida, que é agora e sempre será agora? Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida — e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si cm vez de contra si.



Texto extraído do livro: O Poder do Agora, de Eckhart Tolle

Eckhart Tolle




“Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte de aproximar. Morte significa despojar-se de tudo que não é você. O segredo da vida é “morrer antes que você morra” – e descobrir que não existe morte.”

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“A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência

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“O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.”

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Eckhart Tolle - Renda-se ao que é



“O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.”

Tony Parsons - Outra possibilidade




Parece que você está lendo essas palavras, possivelmente sentado em uma cadeira, respirando, ouvindo e talvez pensando. O que está acontecendo está acontecendo com você... aparentemente. E você é um indivíduo em um mundo cheio de indivíduos. Isso é normal, assim parece. Há pessoas e a vida acontece para elas.



A vida está acontecendo e, aparentemente, as pessoas fazem escolhas, a fim de lidar com a vida. Tentam fazer sua vida funcionar. Parece que há vários modos das pessoas negociarem com a vida... às vezes superficialmente e, às vezes, mais profundamente. Mas as respostas parecem ser geradas fora da nossa livre vontade e escolha pessoal que, em termos simples, evita a dor e busca prazer e realização pessoal. Acredita-se que as pessoas têm a capacidade de influenciar, até certo ponto, o que acontece em suas vidas.



E sobre a possibilidade do além ser uma ilusão? Como você se sentirá se te for sugerido que você não está lendo estas palavras, sentado, respirando ou pensando? É possível que a leitura destas palavras, sentado, respirando e pensando seja tudo o que acontece, simplesmente. Não há ninguém fazendo nada. É mesmo possível que não haja ninguém e que haja apenas o espaço em que as coisas parecem acontecer?

E sobre a possibilidade desta auto-surgida individualidade, que se sente tão no controle, ser, na verdade, uma simulação?



Neurocientistas de todo o mundo descobriram recentemente que o cérebro, como se desenvolve desde a primeira infância, supõe que o mundo fora do corpo é separado, e possivelmente ameaçador ao organismo no qual ele vive. E a fim de proteger-se, aparentemente, simula um centro ou um ser a partir do qual as negociações e controle possam ser representados. Obviamente este indivíduo simulado pareceria ter livre arbítrio, poder de escolha e capacidade de agir. E tudo isso para poder lidar com um mundo que se presume ser separado. Mas existe um mundo separado? Ou é uma simulação de individualidade gerada a partir de uma premissa falsa?



É este aparente auto-nascimento para fora um equívoco “divino”, que, por consequência, é a mãe de uma série de outros equívocos “divinos”, para poder o indivíduo, junto com outros, em seu aparente auto-surgimento, também vir a acreditar e experimentar o que percebe como a realidade do tempo e do espaço, o propósito, o destino e mesmo a divindade? E todas essas hipóteses parecem criar uma história pessoal no tempo que normalmente envolve um tipo ou outro de busca.



Além deste senso de separação também parece surgir uma insatisfação inerente. Uma sensação de perda de algo, a separação de algo profundamente inerente, indefinível. E este descontentamento subjacente gera uma necessidade de alívio ou solução.



É possível que toda essa estória de separação seja apenas a totalidade - aparecendo como algo aparentemente separado da totalidade - buscando plenitude. E porque a natureza da individualidade é encerrar-se em uma estória aparentemente separada no tempo, ela só pode funcionar a partir desta perspectiva pessoal, dentro das limitações de seus próprios esforços para encontrar algo para si mesmo, incluindo a realização espiritual. Daí a atração por caminhos, fórmulas, métodos e ensinamentos sobre o vir a ser, que prometem ao candidato uma realização pessoal.



Os candidatos se sentem como algo no todo e por isso sua busca por iluminação se torna uma busca por algo que eles possam adquirir e possuir. E quanto mais o candidato se esforça por agarrar, possuir aquilo que não pode ser possuído, mais ele reforça a sua sensação de perda e desesperança.



Talvez toda a história da separação seja apenas e simplesmente uma metáfora que aponta para outra possibilidade. E supondo que de repente toda esta construção individual pudesse evaporar e houvesse apenas o vazio? Poderia o vazio, como um vácuo, de repente ser a plenitude absoluta? A plenitude absoluta que é o todo... um maravilhoso e indescritível amor que é incondicional. E poderia haver a realização de que toda essa busca, ânsia e luta também já é a absoluta plenitude... um amor todo-abrangente. E que o amor que temos desejado nunca nos deixou, mas sempre cantou para nós através dos nossos sentidos e em cada parte da vitalidade que está acontecendo... lendo estas palavras, sentando-se, respirando, ouvindo, sentindo e pensando. Isso, como é, é tudo que é.



Aqui está a essência desta mensagem radical e intransigente, que é de ninguém.



Tony Parsons

Maio 2009

Eckhart Tolle -vídeo

PEDRAS DA VIDA










O Espírito do Cristo está sobre nós.

Aqui. Agora.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mooji- Assim mesmo




Trechos do Satsang de 14/03/2008, em Belo Horizonte


Você continua a se imaginar como algo que pode ser trabalhado,
que pode ser melhorado.
Como um carro, ou algo assim,
que você pode consertar e fazê-lo funcionar melhor.
Mas você não é isso, por mais intimo que isso possa parecer.
E eu sei quanto estranho estas palavras podem parecer para vocês.
Porque nós estamos falando do seu apego mais querido.
Isso.
Não é uma maldição contra isso.
O corpo é como uma roupa virtual
que a consciência veste para que ela possa ter o sabor da experiências.
Isso é muito importante.
Sem este corpo a consciência não pode experimentar.
Mas o corpo não é a Consciência.
Depois eu vou dizer algo que vai confundir vocês.
Vou dizer que o corpo também é Consciência.
Mas aquilo que percebe este corpo-consciência,
isso não tem corpo.
E está aqui agora.
Parem de tentar imaginar isso.
Tudo o que vocês imaginam está errado.
Porque isso é sem forma.
Está tudo bem que sua mente lute contra isso.
Dê permissão completa para que sua mente lute contra isso.
Mas não se identifique com esta luta.
E vocês descobrirão que, mesmo quando a mente luta,
se não há identificação com a mente,
a mente poderá lutar dentro da paz que você é.
E quem será o maior, o mais alto?
É possível que a mente possa estar tremendo
E a sua paz não perturbada?
Isso vocês têm que descobrir.
- eu já descobri!
Você foi de novo ao passado!
- eu não posso evitar.
É verdade.
Muitos já tiveram estes insights da verdade.
E tentam repeti-los.
Alguns dizem:”É, eu tive esta experiência há 12 anos atrás.”
12 anos é muito tempo
pra ficar esperando uma repetição.
Eu gostaria de colocar um fim nesta miséria.
Abandone seu esperar.
E abandone sua expectativa.
Abandone até mesmo o desejo de repetir esta experiência.
Abandone toda a intenção.
Nem que seja apenas por um minuto.
E não se apegue à imagem do eu.
E daí me mostre qual é sua experiência.
Eu disse: não se apegue nem mesmo ao eu.
Então você não pode dizer “minha experiência é...”
Quando o eu é jogado fora,
nenhuma intenção,
nenhuma esperança –
ouçam isso: nenhuma esperança.
Nenhuma aspiração
Nenhum sonho
Nenhuma fantasia
Nenhum desejo
Nenhum apego
Experimente você mesmo sem estas coisas.
Por um minuto façam isso.
Não imaginem.
Apenas observem.
Não façam nenhum esforço. Não é preciso nenhum esforço.
Simplesmente não se envolvam com nenhum pensamento, nenhuma intenção.
Mesmo que houver a memória dos desejos, simplesmente não se envolvam com isso.
Por um minuto
façam isso.
E experimentem aquilo que permanece.
E não toquem no conceito:
“O que vem agora?”
Apenas sejam.
A mente vai dizer:
“Sim, eu posso fazer isso.”
Mas é apenas um pensamento.
Você não está fazendo nada!
Não imaginem.
Alguns de vocês podem sentir um certo barulho na mente.
Não importa se você não se envolver nisso.
Deixe onde ele está.
Não julgue
Não avalie
Não deseje se livrar disso
Deixe tudo assim como está
E você permaneça como é
Quem é você?
Alguns sentem: “eu não sei fazer isso sem a mente.”
Mas eu não estou pedindo que vocês façam nada!
Simplesmente não se envolvam com o sentimento de que precisam fazer algo.
Vocês podem estar conscientes
de que a mente está fazendo muitas sugestões, julgamentos.
Isto está ok.
Não tentem parar isso.
Simplesmente não vão fazer compras na mente
Vocês podem fazê-lo
Vocês têm o poder.

Mooji- Mantenha simples


Mantenha simples
Trechos de um Satsang em Ubatuba, em março de 2008
Transcrição Veetshish

Discípulo – Mas... existe uma agonia... de conseguir permanecer no eu sou
com todo o dia-a-dia.
Mooji: Isso é devido realmente a conceitos errôneos. Sempre que você
sente ‘eu’, o eu é o Eu Sou. Tentar ser o Eu Sou é um pensamento que surge no Eu
Sou.
Mantenha simples.
Eu é Eu Sou. Eu não é uma pessoa. A pessoa em si é uma modificação do
Eu Sou; na maioria dos casos, uma distorção do Eu Sou. O Eu Sou é sinônimo de
Consciência ou Ser. E este Eu Sou aparentemente se transmuta para uma pessoa
simplesmente através da identificação com o corpo-mente. Então este Eu Sou
experimenta a si mesmo como se ele fosse o corpo-mente. Ele se imagina ser um
corpo-mente, uma pessoa diferente porque são corpos diferentes.
Porque este Eu Sou se identifica com o corpo, com a construção elemental
única de cada corpo e se imagina ser, se identifica ser este corpo. É uma
modificação. Mas esta modificação é apenas aparente. Só ocorre na mente. É a
mente que está vendo o mundo. A mente surge como ‘eu’, mas este eu é chamado
conceito-de-eu, ou eu-personalidade. E este eu-personalidade é percebido,
testemunhado no Eu Real (Self).
Espero que não seja confuso para vocês.
O estado natural do eu é Eu Sou. Este Eu Sou em si mesmo é como espaço,
é imaterial. É um ser imaterial. Mas ele tem uma capacidade, ou melhor, uma
capacidade surge neste ser de se identificar com o corpo-mente. E, através deste
corpo-mente, desfrutar de experiências. E esta identificação com o corpo surge
como eu-personalidade, que é uma limitação no Ser.
Mas ela simplesmente ocorre. Quem pode escapar? Mesmo Krshna ou Buda
não escaparam. Eles também, no início, eram condicionados. Então eles perceberam
que o condicionamento não era eles mesmos. E eles realizaram que eles são o Eu
Sou, o Observador, e não aquilo que é observado. E a resposta a este
reconhecimento é que eles não podiam parar de rir. Eles disseram: “Olha isso! Eu
estava olhando assim, mas era de outro jeito!” Algo incrível!
Você pensa e se comporta como se fosse uma unidade de consciência com
uma vontade separada para realizar decisões separadas. Mas isso nada mais é do que
a maneira como a qual a Consciência está se expressando. Como se ela tivesse uma
vontade separada como indivíduo.
Isso não é algo fácil de entender. Mas não se preocupem com isso.
Você disse que tem alguma agonia surgindo. Mas se existe agonia, esta
agonia está surgindo para sua pessoa, não para o Ser. Se você é apenas o Observador,
a agonia será vista apenas como uma sensação que ocorre para um eu aparente, que
você parece ser, mas não é.

Mooji- Biografia




Anthony Paul Moo-Young nasceu no dia 29 de janeiro de 1954 em Porto Antônio, Jamaica. Ele viajou para Inglaterra em 1969 afim de se juntar à sua mãe em Brixton, Londres. Ele trabalhou por muitos anos como artista de rua fazendo retratos no centro de Londres, depois como pintor, fazendo vitrais e como professor. Ele era bem conhecido como 'Tony Moo' mas agora é afetuosamente conhecido como 'Mooji'* por muitos buscadores e amigos.



Em 1987, um encontro por acaso com um jovem místico Cristão estava por ser um breve mas decisivo encontro que mudaria a vida de Mooji. Isso o levou, através da oração, à experiência direta do Divino dentro de Si. Com o despertar de sua consciência espiritual, uma profunda transformação interna deu-se início que desenrolou-se na forma de muitas experiências milagrosas e 'insights' místicos. Ele sentiu um forte vento de mudanças soprar através de sua vida oque trouxe consigo uma profunda urgência de entregar-se a Deus completamente. Pouco tempo depois ele terminou seu trabalho como professor, saiu de sua casa e deu início a uma vida de quieta simplicidade e entrega a vontade de Deus conforme se manifestava espontâneamente dentro de si. Uma profunda paz adentrou o seu ser. E nunca o deixou.



Ele viveu por alguns anos praticamente sem nenhum centavo, mas constantemente absorto na felicidade interna, contentamento e meditação natural. A graça manifestou-se na forma de sua irmã, Julienne, quem carinhosamente acolheu Mooji em sua casa e o ofereceu o tempo e o espaço que ele tanto precisava para florescer a espiritualidade, sem as pressões e demandas da vida externa. Mooji se refere a esse período de sua vida como sendo seus 'anos selvagens', e fala profundamente de ter estado 'sentado no colo de Deus'. Em muitos aspectos esses tempos não foram nada fáceis, no entanto não há traço algum de remorso ou arrependimento em sua voz quando ele narra tais eventos. Pelo contrário, ele fala dessa fase de sua vida como sendo ricamente abençoada e abundante em graça, confiança e devoção amorosa.



No final de 1993 Mooji viajou a Índia. Ele desejava visitar Dakshineswar em Calcutta onde Sri Ramakrishna, o grande Santo Bengali havia vivido e ensinado. As palavras de Ramakrishna foram uma fonte de inspiração e encorajamento para Mooji nos primeiros anos de seu desenvolvimento espiritual. Ele amava profundamente o Santo, mas como o destino ditaria, ele não iria à Calcutta. Enquanto em Rishikesh, um lugar sagrado ao pé dos Himalayas, ele estava por ter um outro encontro pré-destinado. Desta vez com três devotos do grande Mestre Advaita Sri HWL Poonja, conhecido por muitos de seus devotos como 'Papaji'. O convite insistente dos devotos para que Mooji retornasse com eles afim de que encontrasse o Mestre causou-lhe uma profunda impressão. Ainda sim ele prorrogou a visita a Sri Poonja por duas semanas inteiras, escolhendo primeiramente visitar Varanasi, a cidade sagrada.



Finalmente em novembro ele viajou para Indira Nagar em Lucknow para encontrar Sri Poonja. Isto estava por ser uma auspiciosa e profundamente significante experiência em sua jornada espiritual. Ele sentiu isso ser sua boa sorte; ele havia encontrado um Buddha vivo, um Mestre plenamente iluminado. Ele veio gradualmente a reconhecer que Papaji era seu Guru. Mooji ficou com Papaji por muitos meses. O Mestre puxou o que ainda restava de sua mente para o vazio da Fonte. Com a benção de seu Mestre, ele viajou até Sri Ramanasramam em Tiruvanamalai. Este é o ashram ao pé de Arunachala, 'O monte de Fogo', onde Sri Ramana Maharshi*, o 'Santo de Arunachala', guru de Sri Poonja, havia vivido e ensinado. Mooji se sentiu em casa e muito feliz em Tiruvanamalai.



Ele ficou lá por mais ou menos três meses antes de voltar a se sentar aos pés de Papaji uma vez mais. Uma semana mais tarde ele recebeu notícias de Londres que seu filho mais velho havia morrido repentinamente de pneumonia. Mooji retornou à Londres. A beatitude dos anos anteriores abriram caminho para um profundo vazio e silêncio interior através da Graça e Presença de Sri Poonja. Papaji havia lhe dito: “Se você deseja ser um com a Verdade, 'você' deve desaparecer completamente.”



Mooji estaria por visitar Papaji novamente em 1997. Seria seu último encontro com seu Bem-Amado Mestre, que havia adoecido e se tornado frágil em seus movimentos, mas cuja luz interior e presença se mantiveram inalteradas. Um mês depois de retornar à Londres, Mooji recebeu a notícia que o Mestre havia entrado em Mahasamadhi*. Sobre isso Mooji declarou: “Aquele princípio que se manifesta como o Mestre está sempre AQUI AGORA. O verdadeiro Mestre nunca morre, é o senhor que morre. O verdadeiro Mestre, aquele Sat Guru* adentro, somente Ele é o Real”.



Mooji continua a viver em Brixton. Atualmente ele administra uma banca de chá indiano 'chai' (Mooji’s Chai Shop) no mercado local, onde aos sábados ele serve chai e vende incensos. Desde 1999 ele tem recebido, duas vezes por semana, pequenos grupos de visitantes e buscadores no seu pequeno apartamento quem vém de todas as partes do mundo à procura de Auto-Conhecimento (Jnana). Mooji viaja várias vezes por ano à Irlanda onde ele conduz Satsangs e retiros, viajando também por diversos países para dar satsangs a convite de buscadores. Mooji já veio ao Brasil duas vezes, uma em 2006 e outra em 2008.

Papaji- vários assuntos




Mente
P: O que é a mente? O que é a não-mente? A não-mente é uma ausência
temporária da mente ou isto é permanente?
R: A mente é justo uma coleção de pensamentos ao longo do “EU” que os
move em torno. Quando “EU” cai fora não há mente. Quando a não-mente submerge
dentro de sua fonte e fica lá, a realidade brilha, permanentemente e irrevogavelmente.
P: A maioria das pessoas tem receio de deixar ir suas mentes porque eles
pensam que eles precisam dela para funcionar no mundo. Como suas atividades diárias
serão feitas se não houver um que decida o que e como fazer?
R: Experimente e veja. Você é como alguém em um PABX que pensa que
tem que correr em torno e fazer as conexões por si mesmo. Relaxe, pare de interferir, e
você verá que todo o show continua por si mesmo sem nenhuma intervenção sua.
P: Muita gente tem despendido anos com êxito no esforço de aquietar suas
mentes. Isto os traz mais próximos da Iluminação ou eles simplesmente aumentam sua
força de concentração?
R: Pessoas que tem êxito em seus esforços de aquietar suas mentes estão se concentrando
intensamente em um objeto do pensamento chamado “silêncio”. Este não é o silêncio do
não pensamento. Isto é uma experiência de estado mental através de intenso esforço,
quando ambos, o esforço e os pensamentos cessam, a Iluminação ocorre.
P: Algumas vezes em Satsang você usa o Buda como um exemplo. O Buda
alcançou a liberdade através da meditação, ainda assim você sugere que há limitações na
meditação. Poderia nos explicar sobre isto?
R: O Buda tentou todos os tipos de meditação e tapas antes de chegar a Bodhi Gaya, mas
ele não teve nenhum resultado. Quando ele se sentou embaixo da arvore bodhi, tudo que
ele tinha era uma firme determinação que não iria se mover antes de alcançar a
Iluminação. Foi a sua determinação em ser livre que conseguiu sua liberdade, não
nenhuma prática anterior.
Vida
P: Quem sou eu?
R: Aquilo que você imagina ser. Quando você para de criar identificações
para si mesmo, você encontrará quem você realmente é.
P: Quem é Deus?.
R: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele,
você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o
mundo e Deus desaparecem.
P: Depois da Iluminação, nós entendemos tudo sobre a vida? Ou o propósito
da vida fica no coração como um mistério e não como um enigma a ser resolvido?
R: O Self será sempre um mistério porque não há nada fora dele para
compreende-lo, analisa-lo ou entende-lo.
P: Qual é o significado da vida?
R: Porque deve haver algum significado? Qualquer significado que você atribua para isto
é justamente uma idéia em sua mente. A Vida não é afetada ou explicada por nenhuma
idéia que você possa ter sobre isso.
P: Você pode por favor falar sobre como aprender a viver, simplesmente ser
aqui agora. Algumas vezes estando a sua volta eu sinto você compartilhando conosco
ordinárias atividades diárias. Eu penso sobre o Zen dizendo “Antes da Iluminação cortar
lenha, carregar água, após a Iluminação, cortar lenha, carregar água”....
R: Antes da Iluminação você pensa, “Eu preciso cortar lenha, eu preciso
carregar água”. Depois de tudo a lenha é cortada, a água é carregada mas isto não tem
nada a ver com você. Isto simplesmente acontece.
P: Quando nós estamos no ‘intervalo’ entre vidas, nós conscientemente
escolhemos o corpo que nós queremos reencarnar, nossos pais, e essas coisas? Se é
assim, como nós escolhemos?
R: Isto não é uma agencia de viagem que você pode pegar um bom local para
seu próximo nascimento. Seus pensamentos e desejos nessa vida impulsionara você a
uma nova forma e não necessariamente a uma muito boa. Isto está fora do seu controle.
Agora mesmo você pode exercitar controle buscando de onde vem os seus pensamentos e
desejos. Após sua morte será muito tarde.
P: Por que nós temos tanto medo em nossas vidas? Por que confiar em cada
momento é tão difícil?
R: Se você vive no ego, você automaticamente monta situações de ‘eu’ e o
resto do mundo. Para defender o ego você deverá ser egoísta e você deverá temer os
outros porque eles todos ameaçam o seu bem estar. Como você pode confiar em qualquer
um nessa situação?
P: Muita gente acredita que há algo como um “ego saudável”. Uma pessoa
com um ego saudável pode ser confiante,
Cônscio de suas habilidades e limitações, gostos e não gostos, tem alta autoestima,
e assim vai...Existe algo como um “ego saudável”? Isto pode levar a liberdade?
R: Uma pessoa que confia em si mesma e tem alta auto-estima (o que os
psicólogos chamam de ‘ego saudável’ não está mais próximo da liberdade do que
qualquer outro. Esta pessoa pode sentir que está feliz e que não precisa de grandes
mudanças em sua vida. A pessoa que entende que este ego está continuamente causando
problemas mentais esta mais propicio a buscar soluções. Não há algo como um ego
saudável assim como algo não há algo como doença saudável. O ego não pode o levar a
liberdade, ele só pode obstruir isso. Ego e liberdade não podem coexistir. Quando o ego
desaparece, a liberdade substitui isso.
Sonhos
P: O que são sonhos? Por que nós sonhamos?
R: Sonhos são projeções mentais, de noite vocês os projetam dentro de suas
cabeças, durante o dia vocês os projetam fora de suas cabeças. Vocês sonham esses
mundos porque há um forte desejo de desfruta-los.
P: Você me diz ‘ Acorde!’ que eu estou sonhando neste momento. Quando
eu vou dormir de noite eu não me lembro de nada até que eu acorde na manhã seguinte, e
algumas vezes eu tenho sonhos que sinto tão reais quanto quando estou acordado em, tão
real quanto a sensação de que eu estou sentado aqui agora. Como nós sabemos o que é
real e o que é irreal?
R: Todos os seus sonhos são irreais até mesmo o sonho que você chama de
estado acordado, a única realidade é a tela onde eles aparecem. Quando você se identifica
com a tela e não com as figuras, você saberá o que é real e o que é irreal.
P: Quando estou sonhando algumas vezes sinto que eu sou simultaneamente
todas as figuras do sonho. Ao mesmo tempo eu sinto que estou observando todas essas
figuras e tudo o que esta acontecendo. Ainda eu não tenho nenhum senso de controle
sobre o que estou sonhando. É justo um acontecimento, eu sou o sonho, eu observo o
sonho, eu não posso controlar isso. O que está realmente acontecendo?
R: Você esta justamente sonhando. Se você quer saber o que realmente está
acontecendo acorde.
P: Você diz que não há diferença entre sonhando e o estado acordado. Agora
mesmo, como você pode dizer que você esta no estado acordado e não sonhando que
você esta dando Satsang?
R: Eu não estou em nenhum dos dois estados. Ambos os estados
alternativamente aparecem em mim. Você está sonhando que eu estou dando Satsang,
mas seus sonhos não me tocam, nem me afetam.
P: Por que nós temos dificuldades em relembrar nossos sonhos?
R: O cérebro é programado para esquecer a maioria do que nós sonhamos.
Esta é justamente a maneira que o corpo funciona.
P: São nossos sonhos mensagens? Eles querem nos dizer algo?
R: Eles estão dizendo-nos que criação é um sonho, e que há a possibilidade
de acordar ( sair fora) do sonho.
P: Você é consciente quando você dorme? Se é, o que é?
R: A mesma consciência permanece em todos os estados acordado,
dormindo ou sonhando. O aparecer e o desaparecer destes três estados alternativos não
afetam esta consciência, isto não é consciente dos três estados, eles simplesmente
aparecem e desaparecem nesta consciência.
Livre arbítrio versus determinação
P: É tudo em minha vida, por exemplo o momento e método da minha morte,
predeterminado? Que liberdade de escolha e ação eu tenho em minha vida? É o momento
da Iluminação predeterminado, ou pode ocorrer em qualquer momento?
R: Todas as atividades que um corpo executa são predeterminadas. A única
liberdade que você tem é escolher não se identificar com o corpo que está executando as
ações. A Iluminação não acontece no tempo. Ela acontece quando o tempo para.
Desejo
P: Nós vivemos em tempos de abundância. Nós podemos escolher entre
inúmeros diferentes objetos e nós podemos nos encontrar presos em um desejo sem-fim
por mais, maior e melhor. Como podemos viver no “mercado”, mas não envolvidos
nisso?
R: Não indo as compras por objetos dos sentidos.
P: O que é o desejo? Qual é o caminho para a verdadeira felicidade?
R: Discriminando o que é real e permanente e o que é irreal e impermanente.
E assim desejando o primeiro e não o ultimo.
Sexo
P: O celibato ajuda-nos na realização do SELF?
R: Não há sexo no SELF. Eu tive criança, netos e bisnetos, e nenhum deles
me segurou.
P: Há muitos caminhos para a Iluminação, incluindo o caminho que usa a
união com o parceiro como um caminho para o Divino. Algumas pessoas tem
experenciado quando faz amor com seu companheiro, sentimentos de união com a
existência. Você acredita que é possível alcançar verdadeira liberação neste tipo de
caminho?
R: Atividades físicas pode produzir somente resultados físicos. Atividades
mentais produz resultados mentais. Atividades sexuais produz bebes. Iluminação não é
produzido por nada disso.
P: Há um modo correto para praticar o sexo e a sexualidade?
R: Vá até Khajuraho e aprenda como fazer isso no modo indiano.
Entrega
P: Entregar-se ao Mestre é o mesmo que render-se ao Divino dentro de nós
todos, ou isto é novamente olhar por objeto fora de nós mesmos?
R: O Mestre não é um objeto fora de você, ele esta dentro de você como seu
próprio SELF, entregue-se a ele lá.
P: Como a verdadeira entrega é realizada?
R: Indo de volta a sua fonte e descobrindo que não há ninguém para se
entregar, nem nada para entregar.
Amor
P: Qual a diferença entre amor e compaixão?
R: Para o ego, amor é apego criado pelo desejo, enquanto compaixão é um
sentimento de pena pelos outros. Quando não há ego os dois são o mesmo.
P: Nós todos desejamos amar e ser amados e de tempos em tempos
novamente nossa procura pelo companheiro perfeito acaba em desapontamento. Só é
possível amar outro quando ambos são Self-realizados? E quando nós estamos Selfrealizados,
nós não amaremos todos da mesma forma, o que torna a monogamia
impossível?
R: No Self não há outros para amar ou ser monogamico com. O desejo de
um companheiro perfeito sempre acabara em desapontamento porque não há nada como
um par perfeito. Parcerias são sempre imperfeitas.
P: Pode o amor ser incondicional quando nós ainda vivemos no ego?
R: Não
P: Deus é Amor?
R: Você o trouxe para a existência. Seja criativo, faça ele ser aquilo que você
quer que ele seja.

Papaji- ILUMINAÇÃO



ILUMINAÇÃO
P: O que é Iluminação? No seu livro “Wake up and Roar” é dito que uma
mente quieta é Iluminada, não seria mais correto dizer que completa e permanente
ausência da mente é Iluminação?
R: Quando o “Eu” que aparece para clamar ser o dono de todos os
pensamentos e ações é permanentemente erradicado, a Iluminação permanece. Uma
mente quieta é simplesmente uma mente ativa que entrou em descanso. Iluminação é o
substrato de ambos os estados.
. P: A Iluminação muda o corpo, quimicamente de alguma forma? Ocorre no
momento da Iluminação um aumento súbito de energia?
R: Quando você é um com a fonte de seu Ser você está ligado há um
infinito estoque de energia. Quando você não mais pensa “Eu estou fazendo isso”, a
Força do Self toma posse, possibilitando todas as atividades serem feitas com uma
abundância de energia. Ramana Maharshi disse algumas vezes que a Força do Self
surgia através dele tão forte que ele não conseguia manter sua cabeça quieta. Sua cabeça
tremia sempre, exceto quando ele estava em samadhi ou quando olhava atentamente nos
olhos dos devotos.
P: Pode uma pessoa comum se tornar Iluminada, ou você tem que ser um
buscador espiritual no caminho?
R: Se você não quer isso, você não ganha isso.
P: Como eu posso dizer se eu sou Iluminado ou não?
R: Abra seus olhos e olhe em volta. Se você ainda vê um mundo exterior e
distante de você, você não está iluminado.
P: Por que não?
R: O mundo e aquele que o vê são ambos projeções da mente, e enquanto
houver esta mente, a iluminação estará encoberta. Quando você experimenta e sabe
diretamente, sem precisar dos olhos, que o mundo é uma manifestação sem uma razão
dentro do seu próprio Self, você não precisará perguntar se você é ou não Iluminado.
P: Você pode antever em um futuro não muito distante onde haverá muitas
pessoas na Terra que estarão Iluminadas?
R: Não há futuro, não há pessoas, não há Terra, não há ninguém buscando
Iluminação, e não há ninguém ganhando isso. Esta é a ultima e única Verdade.
P: Iluminação significa que você está sempre feliz? Quando a coisas difíceis
e tristes ocorrem em sua vida, elas afetam você? Quando você fica bravo e em Satsang
põe pessoas para fora, você fica em paz, feliz e em bem-aventurança por dentro? É a
diferença entre você e nós o fato de que nós nos identificamos com nossas emoções e
permitimos que elas nos controlem enquanto você não ?
R: Felicidade é permanente. Ela está sempre lá. O que vem e vai é a
infelicidade. Se você se identifica com o que vem e vai, você será infeliz. Se você se
identifica com o que é permanente e está sempre lá, você será feliz em si mesmo.
Raiva é uma das minhas boas amigas. Ela está sempre lá quando eu preciso
dela para tratar de algum negócio. Ela é muito útil. Ela faz seu trabalho sem perturbar-me
e depois sai de cena até que a precise novamente.
P: Quando a pessoa está “madura” para a Iluminação? Há um período de
gestação que precede a Iluminação como os nove meses de preparação e crescimento que
precedem o nascimento de uma criança?
R: Você está pronto para a Iluminação quando você não quer nada alem
disso. Para nascer um bebe você deve despender nove meses ficando maior e maior. Para
Iluminação você deve ficar menor e menor até você desaparecer completamente.
P: Você diz que eu devo encontrar a fonte dos meus pensamentos e
permanecer lá. Como eu faço isso?
R: Olhando dentro de você para ver de onde eles vêm.
P: Você ainda tem pensamentos contínuos ou como Mestre você somente
tem pensamentos quando eles servem a um determinado propósito? Você pode escolher
ficar sem pensamentos?
R: Pensamentos aparecem e desaparecem mas eles não são “meus”, então
eles não me incomodam. Deixe que eles venham, deixe que eles vão. O que isso importa?
Eles não tem nada a ver comigo.
P: O que é o Self inferior? O que é o Self superior?
R: Não há inferior ou superior no Self.
P: Outros professores dizem que um longo período de purificação é
necessário antes que a Iluminação possa acontecer. Você tem dito que você deve tornar o
seu ser belo antes que a Verdade o abrace. Como podemos tornar nosso ser puro e belo?
R: Você não pode tornar-se puro através de qualquer atividade física ou
mental. Pureza é somente quando não há pensamentos. A Verdade não é muito atlética.
Ela não pode pega-lo se você fica se movendo por aí. Ela somente o toma e o abraça se
você estiver absolutamente quieto.
P: Se a liberdade da escravidão é nossa verdadeira natureza, por que são tão
poucos que realizam isto?
R: Porque são muito poucos os que se importam com isso o suficiente ou querem isso o
suficiente.
P: Iluminação implica Onisciência?
R: Não há nada separado do SELF que pode ser conhecido e nada no SELF
que pode saber isso. A idéia de onisciência somente pode aparecer quando há um sujeito
que tem conhecimento sobre um infinito número de objetos. Se não há sujeito e não há
objetos, o que acontece com a onisciência?
P: Quando você é iluminado você ganha o conhecimento de suas vidas
passadas?
R: Quando você é iluminado você tem o conhecimento que nada nunca
aconteceu.

Papaji- “Somente a Verdade é e você é Ela!



“Somente a Verdade é e você é Ela!
Você é a Consciência imutável onde todas as atividades acontecem.
Negar isso é sofrer, saber disso é Liberdade. E não é difícil realizar isso porque essa é sua
Verdadeira Natureza. Simplesmente pergunte ‘QUEM SOU EU?’, e observe
cuidadosamente.
Não faça esforço, nem emita nenhum pensamento. Olhe internamente, aproxime-se com
toda devoção e fique no Coração. Continue vigilante e você verá que nada aflora. Este é o
truque de como manter a mente quieta e alcançar a Liberdade. Isto não leva tempo porque a
Liberdade é sempre Aqui. Você simplesmente deve observar: de onde surge a mente? De
onde vem os pensamentos? Qual é a fonte do pensamento? Então você poderá ver que tem
sido sempre Livre e que tudo tem sido um sonho”.
PAPAJI
““Você precisa do passado e pensamentos para sofrer,
Você não precisa de nada para ser livre
O peso do passado descansa em seu peito e destrói sua vida e sua liberdade.
Remova-os encontrando a origem do pensamento EU.
A liberdade o espera, mas você esta engajado em alguma outra coisa
Não se amarre a qualquer coisa do passado ou do futuro, porque isso não funciona!
Seja apegado somente a este Momento.
Quando você segura alguma outra coisa alem de sua verdadeira natureza
Você se sentira em distúrbio
Por apegar-se a coisas passageiras
Você declara a você mesmo
Que não é a completude em que tudo está
Possuir é um véu, uma mentira
Ser é totalidade, dessa forma não é possível possuir ou desejar
Todos são budas, você tem que quebrar o apego, a identificação,
Você deve renunciar, senão você trapaceia com você mesmo
Na roda da vida e da morte com todos os seus apegos
O apego é um demônio, o apego é um problema
Porque nosso apego acaba sendo nossa realidade
Somente em Satsang isso é removido
Não deixe sua mente ir para fora do seu coração!
Todo mundo esta perdido nestes apegos de fora,
Não somente você.
Se qualquer desses apegos dá a você felicidade e paz mental
Então esteja com ele, pois não é chegado o tempo de deixa-lo.

Papaji -Bibliografia traduzida e interpretada a partir do texto da introdução do livro The Fire of Freedom



Papaji (H.W.L. Poonja)

(1913-1997)


Hariwansh Lal Poonja nasceu em 1913, perto de Lyalpur, uma cidade que ficava na Índia mas que, em 1947, passou a fazer parte do Paquistão. Em 1919 a familia Poonja vez uma viagem para Lahore, e foi lá que Hariwansh teve sua primeira grande experiência de despertar espiritual. Espontaneamente Hariwansh teve uma experiência direta do Eu Real, tornando-se paralizado. Permaneceu incapaz de mover-se ou falar, ficando absorto neste estado por três dias. Hariwansh descreu essa experiência como uma experiência de pura felicidade e beleza. Uma vez que teve esse contato com a felicidade do Eu Real ele passou muito de seus anos seguintes tentando experimentar esse estado novamente, sendo ocasionalmente puxado de volta para o mesmo, espontaneamente.



Sua mãe, que era uma ardente devota de Krishna, convenceu-lhe que a devoção a Krishna lhe devolveria o estado de felicidade. Seguindo seu conselho, Hariwansh começou a concentrar-se em Krishna com tanta intensidade que a forma física deste passou a aparecer na sua frente, de maneira tão sólida que ele poderia tocá-la. Embora mais ninguém na família pudesse ver Krishna, todos eles viam Hariwansh brincar com o seu amigo “invisível”. Hariwansh tornou-se tão apegado à forma de Krishna, que por muitos anos o seu principal desejo espiritual era que Krishna aparecesse a fim de que ele pudesse usufruiu da beatitude de estar na presença da divindade.



Hariwansh era o filho mais velho da família. Quando ela tinha 16 anos, passou pelo tradicional casamento arranjado e começou a trabalhar como comerciante, pois seu pai não tinha dinheiro para lhe mandar para o ensino médio. Seu trabalho o levou a Bombaim, quando ele passou boa parte dos anos de 1930, ganhando dinheiro suficiente para sustentar sua esposa e filhos, e também outros membros de sua família, que viviam em Lyalpur.



No início da década de 1940 Hariwansh inscreveu-se para ser um oficial no exército britânico. Ele acreditava que os combatentes pela liberdade indiana dos anos 20 e 30 haviam falhado porque não tinham o treinamento militar adequado. Assim, apresentando-se para lutar pelos ingleses na Segunda Guerra ele pretendia obter um treinamento militar adequado a fim de posteriormente lutar contra a ocupação britância em seu país. Durante todos os seus anos como membro do exército e como homem casado trabalhado em Bombaim, Hariwansh nunca abandonou seu amor por Krishna ou o desejo de ter visões dele. Com o tempo, percebendo que o serviço militar era incompatível com seu estilo de vida, ele abandonou a comissão de que participava a fim de encontrar um Guru que lhe ajudasse a ver Krishna o tempo todo.



Sua busca o levou por toda a India, inclusive o fez visitar alguns dos mais famosos mestres da época, mas nenhum deles conseguiu responder-lhe satisfatoriamente a sua pergunta padrão “Você já viu Deus? Senão, conhece alguém que O tenha visto?”. Depois de muitos fracassos, um tempo após retornar para casa, um sadhu [monge mendicante] apareceu em sua porta de casa em Lyalpur, mendicando. Hariwansh o fez a mesma pergunta de sempre. O sadhu respondeu “Sim, eu conheço uma pessoa que pode lhe mostrar Deus. Se você o visitar, tudo estará bem para você. Seu nome é Ramana Maharshi”. Hariwansh informou-se com o sadhu e descobriu que Ramana Maharshi vivia em Tiruvannamalai, no sul da Índia. Como ele já havia gasto todo o seu tinheiro nas suas viagens anteriores à busca de um Guru, ele financiou sua presente jornada conseguindo um emprego de uma empresa que ficava em Madras, uma cidade a poucas horas de distância de Tiruvannamalai.



Quando ele chegou no ashram de Ramana Maharshi, em 1944, ele descobriu, para a sua frustração, que Ramana Maharshi era a mesma pessoa que apareceu para ele, como um sadhu, em Lyalpur. Sentindo-se enganado, ele estava prestes a deixar o ashram quando foi informado, por um devoto que lá residia, que Ramana Maharshi jamais havia deixado Tiruvannamalai nos últimos 50 anos. Intrigado, ele decidiu ficar.



A primeira vez que ele falou com Ramana Maharshi ele perguntou “você é o homem que apareceu para mim na minha casa em Punjab?”, mas Sri Ramana permaneceu em silêncio. Então ele perguntou “Você já viu Deus? Caso positivo, pode mostrá-Lo para mim?”. O Maharshi respondeu: “Eu não posso lhe mostrar Deus porque Deus não é um objeto a ser visto. Deus é o sujeito. Ele é aquele que vê. Não se preocupe com aquilo que é visto. Descubra quem é aquele que vê.” E acrescentou: “Apenas você é Deus”.



Muito embora Hariwansh não estivesse disposto a seguir tal conselho, ele permaneceu no ashram por tempo suficiente para ter uma experiência transformadora na presença de Sri Ramana. Assim ele a descreve:



****************





Suas palavras não me impressionaram. Elas me pareceram mais uma desculpa na longa lista daquelas que eu já havia ouvidos de diversos swamis em todo o país. Ele me prometou mostrar me Deus [quando apareceu em minha casa em Punjab], mas agora ele diz que não apenas não pode me mostrar Deus, como que ninguém pode. Eu o teria abandonado imediatamente sem pensar duas vezes, se não fosse pela experiência que eu tive imediatamente após ele me dizer para descobrir quem era o “eu” que queria ver Deus. Ao concluir as suas palavras ele olhou para mim, e na medida em que ele olhou profundamente em meus olhos, todo o meu corpo começou a tremer. Uma vibração de energia nervosa atravessou meu corpo. Sentia como se minhas terminações nervosas estivesses dançando, e meus pêlos se arrepiaram. Tornei-me consciênte do Coração espiritual dentro de mim. Este não é o coração físico. É, isto sim, a fonte e apoio de tudo o que existe. Dentro do coração eu senti ou vi algo como um botão de flor fechado. Ele era brilhante e azulado. Com o Maharshi me olhando e eu em um estado de silêncio interior, senti esse botão abrir-se e florescer. Eu uso a palavra “botão”, mas essa não é uma descrição exata. Seria mais correto dizer que also que parecia um botão abriu e floresceu em meu Coração.





****************



Apesar de tal experiência, Hariwansh decidiu que os ensinamentos de Sri Ramana não eram para ele. Então foi para o outro lado de Arunachala e continuou suas meditações em Krishna. Krishna apareceu para ele inúmeras vezes.



Antes de retornar para Madras, decidiu parar no Sri Ramanasramam e ver o Bhagavan mais uma vez. Hariwansh disse novamente que tinha visões constantes de Krishna. Sri Ramana perguntou: “Você o vê neste momento?” Não, respondeu o devoto. “Então qual é a utilidade de uma divindade que surge e desaparece? Se ele é um Deus real, ele deve estar contigo o tempo todo.”, retorqui o mestre.



Hariwansh retornou para Madras para começar seu trabalho novo. Ele intensificou sua prática de repetir o nome de Krishna, coordenando-a com sua respiração, até que chegou em um estágio em que repetia o mantra de Krishna 50.000 vezes todo o dia. Então, de uma forma surpreendente, os deuses Ram, Sita e Lakshman apareceu na sua frente em sua casa em Madras, e ali passaram durante toda a noite, enquanto Hariwansh passou atirado a seus pés, em um estado em que perdera a noção de tempo. Depois que as divindades o deixaram, ele sentiu-se incapaz de continuar com a repetição dos mantras. Perpexo com esse novo desenvolvimento em sua prática, dedidiu retornar ao Ramanasramam para explicar seu predicado ao Maharshi. Lá chegando ele detalha o que ocorreu ao Guru, e Sri Ramana responde lhe dizendo que a sua prática foi como um trem que o levou ao seu destino. Assim Hariwansh descreve o encontro:



Sri Ramana disse: “O trem [de Madras a Tiruvannamalai] o trouxe até sua destinação. Você desceu dele porque não mais prescisava do veículo. Ele já o trouxe ao local que você queria chegar... É isso que ocorreu com a sua prática. Seu japa [repetição do nome de Deus], suas leituras, sua meditação, trouxeram-lhe a sua destinação espiritual. Você não mais precisa delas. Você não as abandonou: as práticas o deixaram por si só porque elas alcançaram seu propósito. Você chegou.”



****************





Então ele me olhou atentamente. Eu conseguia sentir que todo o meu corpo e mente estão sendo lavados com ondas de pureza. Eles estavam sendo purificados pelo seu olhar silencioso. Eu sentia ele olhando diretamente para o meu coração. Sob o efeito daquele olhar encantador senti cada átomo do meu corpo sendo purificado. Era como se um novo corpo estivesse sendo criado para mim. Um processo de transformação estava ocorrendo – o velho corpo estava morrendo, átomo por átomo, e o novo corpo estava sendo criado no seu lugar. Então, repentinamente, eu entendi. Compreendi que este homem com quem havia falado era, na realidade, o meu verdadeiro Ser, aquilo que sempre fui. Ocorreu um súbito reconhecimento, na medida em que tornei-me consciente do Eu Real. Eu uso a palavra “reconhecimento” propositadamente uma vez que eu sabia, assim que essa experiência me foi revelada, que este era o mesmo estado de paz e felicidade no qual eu tinha ficado absorto quando era um garoto de seis anos de idade em Lahore. O olhar silencioso do Maharshi reestabelecu em mim este estado original. O desejo de buscar um Deus externo desapareceu sob a luz do conhecimento do Eu Real, que o Maharshi me relevou. (...) Eu sabia que minha busca espiritual havia terminado.







****************



Hariwansh voltou a Madras e retomou seu trabalho, visitando o Ramanasramam sempre que possível.



Em 1950, depois de Sri Ramana ter falecido, Hariwansh foi a Tiruvannamalai com a intenção de viver lá como um sadhu. Mas o destino tinha outros planos para ele. Após uma breve visita ao Sri Ramanasramam, ele viajou a Bangalore, onde lhe foi oferecido um trabalho como gerente de uma companhia de mineração. Ele o aceitou, principalmente para ter os recursos para sustentar sua família. Trabalhou em inúmeras minas em Karnataka e Goa até o ano de 1966, quando se aposentou.



Assim que abandonou seu emprego, Hariwansh começou a viajar por toda a Índia. Muito embora nunca tenha anunciado a si mesmo como um mestre, ele sempre atraiu um pequeno número de devotos onde quer que fosse. Esses números gradualmente começaram a crescer. Entre 1970 e 1990 viajou extensamente, tanto dentro da Índia como fora, sendo a maioria das viagens feitas a pedido dos devodos que queriam vê-lo. Ele resistiu a todas as tentativas de fundarem um centro ou ashram em seu nome.



Embora tenha visitado praticamente todos os principais centros espirituais da Índia e muitos no Ocidente, ao ser questionado sobre quantos jnanis (seres Iluminados) Papaji havia encontrado, mencionava: Ramana Maharshi, um sufi que havia encontrado em Madras, um mahatma que havia encontrado na floresta entre Tiruvannamalai e Bangalore, e Nisargadatta Maharaj. David Godman, seu biógrafo oficial, refere que a “lista de iluminados” podia expandir ou diminuir de acordo com os “humores” do mestre, mas que nunca excedia a sete pessoas.



No final de década de 80, quando a debilidade física o previniu de viajar sozinho, ele estabeleceu-se em Lucknow. Foi lá que ele permaneceu os últimos anos de sua vida, dando satsangs diários, e ocasionalmente viajando para breves visitas ao Ganga. Foi por volta de 1990 que ele recebeu o título de “Papaji”, significando “pai respeitado”. Faleceu em setembro de 1997.

Papaji





"Eu lhe digo: ninguém está preso. Não há prisão. Ninguém é um buscador da liberação porque ninguém existe. Até mesmo a liberação não existe. Quem é você? Que é aquele que irá meditar? Fique quieto, não pense, não faça esforço algum. Para estar aprisionado é necessário algum esforço, mas não para ser livre. A Paz está além do pensamento e do esforço. Não pense e não faça nenhum esforço, porque isso apenas obscurecerá Aquilo, mas não o revelará. É por isso que permanecer em silêncio é a chave ao oceano de amor e paz."

Ramana Maharshi- Quem Sou Eu?





Quem sou eu?
Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo.
Eu posso ver e sentir meu corpo,
E o que pode ser visto e sentido não é o verdadeiro Vidente.
Meu corpo pode estar cansado ou excitado,
Doente ou saudável, pesado ou leve,
mas isso nada tem a ver com meu Eu interior.
Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo.

Eu tenho desejos, mas eu não sou meus desejos, eu posso conhecer meus desejos,
e o que pode ser conhecido não é o verdadeiro. Conhecedo.
Desejos vêm e vão, flutuando através de minha percepção,
mas eles não afetam meu Eu interior.
Eu tenho desejos, mas não sou desejos.

Eu tenho emoções, mas eu não sou minas emoções.
Eu posso sentir minhas emoções,
e o que pode ser sentido não é o verdadeiro Senciente.
As emoções passam através de mim,
mas elas não afetam meu Eu interior.
Eu tenho emoções, mas eu não sou emoções.

Eu tenho pensamentos, mas eu não sou meus pensamentos.
Eu posso conhecer e intuir meus pensamentos,
E o que pode ser conhecido não é o verdadeiro Conhecedor.
Pensamentos vêm a mim e pensamentos me deixam,
mas eles não afetam meu Eu interior.
Eu tenho pensamentos, mas não sou meus pensamentos.

Eu sou o que permanece, um centro puro de percepção,
uma testemunha impassível de todos esses
pensamentos, emoções, sentimentos e desejos.

Biografia de Sri Ramana Maharshi






(1879-1950)

Sri Ramana Maharshi nasceu em 30 de Dezembro de 1879 em Tiruchuzhi, numa cidade da província de Tamil Nadu, ao sul da Índia. Os seus pais deram-lhe o nome de Venkataraman.

Nada havia de anormal neste rapaz. Possuía um corpo forte, destacava-se no futebol, artes marciais, natação, entre outros desportos. O único factor incomum a respeito de Venkataraman era o seu sono profundo, inabalável, e a sua assombrosa força física. Seu sono era tão profundo que em certas ocasiões os seus colegas – que jamais tinham a oportunidade de vencê-lo num combate – aproveitavam-se de seu estado para carregá-lo para fora da sua cama, dar-lhe porrada, e então “devolvê-lo” ao seu quarto, sem que Venkataraman jamais suspeitasse do ocorrido.



Este rapaz não manifestava nenhum interesse pela espiritualidade, meditação ou religião. Os seus únicos contactos com assuntos espirituais foi uma vez quando ouviu falar da montanha sagrada de Arunachala – o que lhe despertou profunda reverência e interesse – e outra quando teve a oportunidade de ler o Periyapuranam, que é uma colecção de biografias de 63 santos seita Saiva (adoradores de Shiva) da religião hindu. Entretanto, quando tinha 16 anos de idade, em Julho de 1896, teve uma experiência que transformou a sua vida para sempre. Ele mesmo a descreve:



“Foi mais ou menos seis semanas antes de deixar Madurai permanentemente que a grande mudança ocorreu na minha vida. Aconteceu inesperadamente. Eu estava sentado sozinho numa sala do primeiro andar da casa do meu tio. Eu raramente adoecia, e naquele dia a minha saúde estava normal, mas repentinamente fui tomado por um violento medo de morrer. Nada no meu estado de saúde explicava isto, e eu não tentei justificar esse medo, nem procurei as suas causas. Eu apenas senti ‘Vou morrer’ e comecei a pensar o que fazer a respeito disso. Não pensei em consultar um médico, os meus parentes ou meus amigos; eu senti que precisava de resolver o problema por mim próprio, ali mesmo.

O choque do medo da morte fez a minha mente voltar-se para o interior, e eu disse a mim mesmo, sem na verdade moldar em palavras:


‘Agora a morte chegou; o que isto significa? O que está a morrer? O corpo morre.’


Então imediatamente comecei a dramatizar a ocorrência da morte. Deitei-me com os meus membros esticados e duros como se estivesse a ocorrer o rigor mortis, e imitei um cadáver para tornar a inquirição mais realista. Prendi a respiração e mantive os lábios firmemente fechados a fim de não deixar escapar nenhum som, de maneira que nem mesmo a palavra “eu” ou qualquer outra palavra pudesse ser pronunciada. ‘Então’, disse a mim mesmo:


‘este corpo está morto. Ele vai ser carregado duro até à pira de fogo e lá será queimado e reduzido a cinzas. Mas com a morte deste corpo eu morro? Este corpo é o Eu? Ele está silencioso e inerte, mas eu sinto a força total da minha existência, e até mesmo a voz do “eu” dentro de mim, separadas do corpo. Então eu sou o espírito que transcende o corpo. O corpo morre, mas o Espírito que o transcende não pode ser tocado pela morte. Isto significa que eu sou o Espírito Imortal’.


Isto tudo não foi um pensamento obscuro; foi uma verdade viva que brilhou através de mim e que percebi directamente, quase sem o processo do pensamento. ‘Eu’ era algo muito real, a única coisa real no meu estado presente, e todas as actividades conscientes ligadas ao meu corpo estavam centradas naquele ‘Eu’. A partir daquele momento o ‘Eu’ ou ‘Si-mesmo’ focou a atenção em si mesmo por meio de uma poderosa fascinação. O medo da morte desapareceu de vez, e a absorção no Eu Real continuou ininterrupta desde então.”


Neste momento a sua individualidade dissolveu-se no Eu Real, e aquele jovem indiano que nada tinha de promissor transforma-se num dos maiores Sábios que a Índia alguma vez já conheceu. Na terminologia espiritual, ele havia “Realizado o Eu”, ou “Alcançado a Iluminação/Libertação”; o que normalmente surge apenas como resultado de anos de intensa prática espiritual (sadhana), para o jovem Sábio surgiu espontaneamente, sem nenhuma prática ou desejo prévios.



Movido por um chamado interior, Venkataraman abandona os seus estudos e sua vida em sociedade, e parte rumo a Tiruvannamalai, a cidade em que se situa a lendária montanha de Arunachala.



Chegando ao seu destino, o garoto iluminado deita fora todo o seu dinheiro e posses, e entrega-se a desfrutar profundamente o estado de Paz e Beatitude recém descoberto. A sua absorção nesta Consciência era tão profunda que ele permanecia desligado do seu corpo e de todo o mundo exterior por dias a fio. Durante os dois ou três anos em que permaneceu imerso neste profundo estado de samadhi (transe), mosquitos e escorpiões comiam parte do seu corpo, seu cabelo e unhas cresceram enormemente, sendo que se alimentava apenas quando um transeunte apiedado com o estado deplorável do seu corpo lhe oferecia algo para ingestão. No final deste período Venkataraman começou aos poucos a retomar a sua vida física normal – transição esta que se completou apenas alguns anos depois – mas sem nunca perder a consciência do seu verdadeiro Eu.



Há medida que o jovem Sábio foi retomando consciência do mundo exterior, passou a irradiar uma aura de Paz que começou a atrair buscadores interessados em beneficiar de sua presença. Em seus primeiros anos Venkataraman permanecia em completo silêncio, sendo que eventuais perguntas de buscadores que o visitavam ou moravam em sua proximidade eram respondidas sendo escritas em pedaços de papel ou na areia. Naquela época, um de seus primeiros seguidores, impressionado pela sabedoria e santidade daquele garoto, deu-lhe o nome de Bhagavan Sri Ramana Maharshi, pelo o qual passou a ser conhecido desde então. “Bhagavan” é um título honorífico dado a grandes mestres iluminados, significando “Senhor; Deus”; “Sri” é um prefixo de respeito; “Ramana” é uma contracção de seu nome de baptismo; “Maharshi” significa “Grande Sábio”.



Mesmo depois de vários anos, quando Sri Ramana voltou a falar, falava muito pouco, de forma que seus ensinamentos eram transmitidos por outros meios. Ao invés de dar instruções verbais ele constantemente emanava uma força silenciosa que aquietava as mentes daqueles que estavam em sintonia com ela, e ocasionalmente até mesmo lhe davam uma experiência directa do estado no qual ele mesmo estava perpetuamente imerso. Anos depois ele tornou-se mais disposto a dar ensinamentos verbais, mas, mesmo então, os ensinamentos silenciosos sempre estavam à disposição daqueles que sabia fazer bom uso deles. Ao longo de sua vida Sri Ramana insistia que esse fluxo silencioso de energia representavam os seus ensinamentos na sua forma mais directa e concentrada. A importância que ele dava a isto é indicada por suas assertivas frequentes no sentido de que os seus ensinamentos verbais serviam apenas àqueles que não podiam compreender seu silêncio.



Há medida que os anos passaram ele tornou-se cada vez mais famoso. Uma comunidade cresceu em volta dele, milhares de visitantes vinham vê-lo, e durante os últimos vinte anos de sua vida ele era largamente conhecido como o Santo mais popular e reverenciado da Índia. Alguns desses milhares eram atraídos pela paz que eles sentiam em sua presença, outros pela propriedade com a qual ele guiava buscadores espirituais e interpretava ensinamentos religiosos, e outros simplesmente vinham falar dos seus problemas e sofrimentos. Qualquer que fosse as razões, praticamente todos que tinham contacto com ele saiam impressionados com a sua simplicidade e humildade. Quando uma vez o então presidente da Índia prestou uma visita a Mahatma Gandhi, este disse-lhe “se tu estás em busca da Paz, sugiro que visites Ramana Maharshi.”

Bhagavan estava disponível aos visitantes vinte e quatro horas por dia, uma vez que dormia e vivia num espaço comunitário, o qual estava sempre acessível a todos, e seus únicos bens eram a sua roupa do corpo, um pote de água, e a sua bengala. Embora fosse adorado por milhares como uma encarnação divina, ele se recusava a permitir que qualquer um o tratasse como alguém especial, e recusava receber qualquer coisa que não fosse igualmente dividia entre todos à sua volta. Sri Ramana trabalhava junto na sua comunidade e por muitos anos acordava diariamente às 3:00 da manhã para preparar comida aos residentes no ashram. O seu sentimento de igualdade era legendário. Os visitantes eram todos tratados com respeito e consideração iguais, fossem eles mendigos, executivos, membros da realeza, ou animais. A sua preocupação igualitária se estendia até mesmo às árvores locais: ele desencorajava os seus seguidores a arrancarem flores ou folhas das árvores, e buscava assegurar-se que toda e qualquer fruta que fosse retirada das árvores o fosse feito da maneira que a árvore sofresse apenas a quantidade mínima de dor.



Assim, ao longo de mais de 50 anos, vivendo aos pés da montanha de Arunachala, Sri Ramana deu ensinamentos e transformou as vidas de inúmeros visitantes e buscadores. Boa parte dos seus ensinamentos foram anotados e publicados, constituindo assim uma herança espiritual inestimável para a humanidade, apontando um caminho directo e eficaz, acessível a todos aqueles que desejem alcançar o estado de Liberdade do qual tais ensinamentos emanaram.



Sri Ramana Maharshi deixou o corpo físico em 14 de Abril de 1950, padecendo de cancro. Em nenhum momento, entretanto, demonstrou qualquer espécie de preocupação ou aflição com a grande dor física que o seu corpo sofreu nos últimos anos, ou com a perda do mesmo, permanecendo sempre com o mesmo olhar imerso em Paz.